Se diz que, atualmente, as crianças parecem ser mais espertas do que há 50 anos. Isso não acontece porque as crianças nascem mais inteligentes, mas porque, desde o seu nascimento elas , têm mais oportunidades de interagir com a tecnologia disponível no ambiente e com a sociedade à sua volta. Talvez uma das experiências mais interessantes que as crianças têm à sua disposição hoje, no ambiente social em geral e no escolar em especial, é a convivência com pessoas ditas “diferentes”.
Quem já não saiu na rua com crianças e deparou com jovens tatuados, cheios de piercings, ou simplesmente vestidos de modo muito peculiar? As perguntas são inevitáveis: “Por que aquele rapaz se veste daquele jeito?”, “Por que o cabelo daquela moça é azul?”. É comum, muitas vezes, sentirmos dificuldades em dar explicações convincentes... O movimento de inclusão escolar tem proporcionado um outro tipo de oportunidade desse gênero para as crianças: a de conviver com crianças que têm alguma característica que foge ao padrão dito “normal”, como deficiências físicas ou condições genéticas próprias, como a Síndrome de Down.
Antigamente, essa população costumava ficar excluída do convívio social, confinada em escolas especiais ou escondida em casa. Muitos adultos de hoje não tiveram, por exemplo, a experiência de conviver com alguém com Síndrome de Down na infância ou na juventude, uma experiência que, atualmente, é muito provável que seus filhos tenham.
Apesar de muitas vezes a família e a própria escola encontrarem dificuldades em lidar com as diferenças (afinal, todos nós temos nossos preconceitos, mais ou menos evidentes), em algum momento, as crianças vão solicitar, direta ou indiretamente, uma posição do adulto em relação a elas. É nesse momento que pais e professores devem se lembrar de sua responsabilidade na formação de valores na criança, como, por exemplo, o respeito pelas diferentes condições das pessoas (sejam estas físicas, sociais ou psicológicas) e a aceitação do outro.
Ao respeitarmos as diferenças encontradas nas pessoas, ao compreendermos que diferente não significa melhor ou pior (e sim apenas diferente) e ao nos permitirmos ampliar nossa capacidade de aceitação, estaremos ajudando as crianças a se tornarem adultos mais capazes de exercitar a tolerância e de dar oportunidades às pessoas que não se enquadram no padrão “ideal” (e, talvez, inatingível) de normalidade. Talvez esse seja um bom começo para todos nós.
Andréia Schmidt
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